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As consequências e prejuízos dos crescentes roubos de cargas no país

Como a segurança pode contribuir com o crescimento do setor de transportes



O Brasil é o país que tem a maior concentração rodoviária de transporte de cargas e passageiros entre as principais economias mundiais. Segundo dados do Banco Mundial, até 2013, 58% do transporte no país era feito por rodovias.

Ironicamente, além da crise a qual o país ainda está se recuperando, uma empresa transportadora de cargas no Brasil precisa enfrentar diversos obstáculos que comprometem a produtividade e o crescimento do negócio. Dentre eles, o baixo investimento governamental em infraestrutura logística, a defasagem no valor do frete e o alto índice de roubo nas rodovias.


Nesse sentido, a questão do roubo de cargas é um dos grandes desafios do setor e também a questão a qual nos ateremos em mais essa discussão da ATIVAR360 - Conferência Internacional de Segurança Militar Privada.


Anuário de Segurança Pública


O Brasil ocupa a 8ª posição no triste ranking dos países mais perigosos para o transporte de cargas, definido pelo Joint Cargo Committee. “Cargas Roubadas” é também um dos tema contemplados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014-2017, documento apresentado no Fórum de Segurança Pública 2018. A modalidade aparece no item “Crimes contra o Patrimônio”.


Uma das principais constatações são os números crescentes. Dos 27 estados brasileiros contemplados pelo documento, 18 apresentaram aumento nas ocorrências. Paraíba (1.892%), Piauí (718%) e Rio Grande do Norte (416%), todos no Nordeste, registraram os maiores índices de crescimento percentual. Quando se fala em números exatos, porém, São Paulo e Rio de Janeiro são os que mais detêm registros, 10.799 e 10.584, respectivamente.


No Rio Grande do Norte, Ivenio Hermes, membro sênior do FBSP - Fórum Brasileiro de Segurança Pública, alerta para uma realidade que envolve não apenas falta de efetivo como também investimento. “O que se percebe é que a capacidade de enfrentar esse problema pelas polícias civis e militares não se resume somente ao déficit de efetivo, mas também à falta de outras condições de trabalho que deem às polícias estaduais as ferramentas tecnológicas e operacionais adequadas para o bom desempenho de suas funções”, conclui no relatório.



Consequências


A interceptação do transporte de carga provocou prejuízos anuais de R$ 6,1 bilhões no Brasil, de 2011 a 2016, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.


Mediante essa realidade, não é de se estranhar que um relatório produzido pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) tenha indicado que 60,1% das empresas de transporte de cargas sofreram uma queda em sua receita bruta no último ano. O impacto que afeta as transportadoras de cargas, que precisam repor as perdas e aumentar os investimentos em seguros e segurança privada, tem como consequência o bolso do consumidor.


Além do prejuízo financeiro, a violência afasta novos investimentos. Segundo dados do levantamento realizado neste ano pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em parceria com a confederação nacional do setor e com as federações representativas de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, a maior parte das indústrias pesquisadas (59,6%) declarou que suas decisões de investimentos, em termos de localização da empresa, são afetadas pela falta de segurança.

“O roubo de cargas é um crime que afeta fortemente a economia por seus efeitos em cadeia, resultando em uma forte perda de competitividade com a transferência dos custos extras para a sociedade através do preço final das mercadorias. Para os governos, sobretudo os estados, ocorre perda da arrecadação de impostos com a comercialização clandestina destas cargas”, observa o relatório Firjan.



Roubo de carga x Facções criminosas


Outro impacto social apontado como consequência do aumento dos casos de roubo de cargas, segundo Firjan, é o aumento da violência. “O roubo de cargas vem sendo utilizado, em alguns estados, para financiar o tráfico de drogas e armas. Além disso, regiões com grande incidência passam a ser evitadas pelas transportadoras e a população local enfrenta risco de desabastecimento ou de se tornar refém do crime organizado, que controla o comércio local”, conclui o relatório.


Constatação semelhante parte de Sérgio Adorno, professor do departamento de sociologia e coordenador do núcleo de estudos da violência da USP, responsável por avaliar os dados do Anuário de Segurança Pública do Estado de São Paulo. “Como se sabe, essa modalidade requer o concurso de vários agentes, que operam mediante organizada divisão social de trabalho para consecução de suas finalidades. Tudo indica, portanto, a existência de associações com o crime organizado. Se é assim, esta constatação vêm sustentar descobertas em investigações científicas: facções criminosas, entre as quais o PCC em São Paulo, vem diversificando seus investimentos e suas operações para outras atividades que não apenas o comércio ilegal de drogas, funcionando como uma corporação, uma espécie de joint-venture, que controla uma gama variada de operações, uma cadeia complexa que vai do financiamento primário à acumulação de capital”, explica.


Gerenciamento de riscos


Segundo a Firjan, o combate ao roubo de cargas no Brasil tem sido dificultado por três fatores: “a) a maior atuação de grandes organizações criminosas, que transformaram esse crime em fonte de financiamento; b) a falta de ações mais rigorosas voltadas para punir, em conjunto, todos os elos da cadeia criminosa; e c) a carência de estrutura das forças de segurança diretamente relacionadas ao combate ao roubo de cargas”.


Dentre outras medidas, consideramos de extrema necessidade, tanto para o setor público quanto para o privado, investimentos em tecnologia e treinamento de equipe, seja para cobrir o déficit de segurança oferecido pelo Estado, seja para reforçar e controlar internamente a logística das empresas.


Assim, ficam aqui algumas sugestões de como uma empresa pode reforçar a segurança do transporte de cargas, reduzindo os danos e prejuízos por conta das interceptações:


- Soluções em inteligência logística para rastrear carga permitem que os veículos sejam mais rapidamente localizados em casos de interceptação;


- Monitoramento à distância; muitos dos sistemas que oferecem tecnologia de rastreamento realizam também planejamento inteligente de rotas, evitando que o caminhão retorne vazio e considerando os índices de roubo em cada trajeto;


- Conhecimento e detalhamento das especificidades da carga a ser transportada (índice de roubos, cuidados específicos no transporte, eventual regulamentação sobre sua movimentação).


- Uso de drones para auxiliar no reforço de segurança e rastreamento de perigo, dentre outras funções;


É nosso dever, como parte do setor da segurança privada, reunir profissionais que possam usar suas expertises para apresentar novas formas de combater o mal. Como você pode contribuir?

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